
Um levantamento técnico da Câmara de Empregabilidade do Programa Oeste em Desenvolvimento revela um dado que chama a atenção para o mercado de trabalho regional: entre janeiro de 2020 e janeiro de 2026, o Oeste registrou 1.350.183 trocas de emprego. O número dimensiona um dos principais desafios enfrentados pelas empresas, o alto índice de rotatividade, e abre espaço para uma análise mais ampla sobre crescimento, oportunidades e gargalos da empregabilidade na região.
O estudo foi conduzido a partir de um BI estruturado especificamente para esse fim, sob a liderança de Sérgio Antonio Marcucci e Rodrigo Souza, coordenadores da Câmara Técnica de Empregabilidade do POD. A base de dados permitiu cruzar inúmeras informações, como de geração de empregos e movimentação de trabalhadores no período de seis anos.
Conforme Sérgio Marcucci, o levantamento também confirma a forte expansão regional. “Tivemos crescimento de mais de cem mil habitantes, saindo de 1,4 milhão para 1,5 milhão de pessoas no Oeste”. Esse avanço populacional veio acompanhado de um aumento expressivo no número de empregos formais. No mesmo período, o total de carteiras assinadas saltou de 341.878 para 435.039, superávit de 93.161 novos postos de trabalho – (Rondon tem 18.455 carteiras assinadas, Toledo 65.411, Foz do Iguaçu 70.621 e Cascavel 123.104).
Rodrigo Souza destaca que o volume é significativo quando comparado à realidade dos municípios da região. “É como se tivéssemos criado, ao longo desse período, praticamente o equivalente a cinco vezes o volume de empregos formais do município de Marechal Cândido Rondon”, observa. Os dados reforçam a posição de destaque do Oeste no cenário estadual. A região ocupa, de forma consistente, a segunda colocação no Paraná em crescimento populacional e geração de empregos, ficando atrás apenas da Região Metropolitana de Curitiba.
Rotatividade
Apesar dos indicadores positivos, o levantamento evidencia pontos críticos: o primeiro é o custo elevado da rotatividade. A partir de entrevistas com seis grandes empresas da região, líderes da Câmara de Empregabilidade do POD estimaram em cerca de R$ 2 mil o custo médio por desligamento e reposição de trabalhador, considerando processos administrativos, recrutamento, exames e integração.
Com base nesse valor, o impacto financeiro das 1,35 milhão de movimentações chega a aproximadamente R$ 2,7 bilhões ao longo dos seis anos. “Não estamos falando de salários ou indenizações, mas de todo o custo operacional envolvido na troca de um colaborador”, explica Sérgio Marcucci. Outro ponto importante, conforme destaca Andréia Altran, secretária da Câmara de Empregabilidade, é o pouco tempo que a pessoa fica no cargo/empresa. “Acaba que não há tempo hábil para aprender, dominar a tarefa e então ser capaz de entregar resultados sólidos para o empregador. Ou seja, temos pessoas em fase de aprendizado da tarefa, o que reduz sua produção e entregas, logo a “não produção” também gera prejuízos difíceis até de mensurar”.
Reduzir o turnover
Diante desse cenário, a redução do turnover passou a integrar o planejamento estratégico regional da Câmara. A meta estabelecida é diminuir esse índice em 20% até 2028. Embora, à primeira vista, o percentual possa parecer modesto, o impacto econômico é relevante. “Essa redução representa economia de cerca de R$ 540 milhões para as empresas da região”, ressalta Rodrigo Souza.
Para alcançar esse objetivo, a estratégia envolve ações integradas com o setor produtivo, especialmente nas áreas de recursos humanos, além da promoção de eventos e capacitações voltadas à retenção de talentos e ao fortalecimento do vínculo entre trabalhador e empresa.
Paralelamente, municípios do Oeste têm intensificado iniciativas para ampliar a base de trabalhadores disponíveis. Em parceria com entidades como o Sistema S e a Fiep, programas buscam inserir no mercado formal pessoas que hoje estão fora da atividade econômica, incluindo beneficiários de programas sociais.
A qualificação profissional também aparece como eixo central dessas políticas. Um dos exemplos citados no levantamento é o de Marechal Cândido Rondon, que investe cerca de R$ 1 milhão por ano em capacitação. A tendência, segundo a secretária da Câmara de Empregabilidade, Andreia Altran, que trabalha as temáticas das capacitações, é que outras cidades sigam o mesmo caminho de Rondon, ampliando parcerias com instituições como Senai e Senac para formação de mão de obra. “O desafio agora não é apenas gerar emprego, mas garantir que as pessoas permaneçam nesses postos”, afirma Sérgio Marcucci.
Legenda: O coordenador da Câmara Técnica de Empregabilidade do POD, Sergio Marcucci.
Crédito: Assessoria