Novos produtos ampliam horizontes para a cadeia das proteínas do Oeste

Dois encontros realizados no último dia 10 de setembro, um na Acic, em Cascavel, e outro na Lar Cooperativa, em Medianeira, reuniram representantes de empresas, cooperativas, universidades e programas de desenvolvimento para debate sobre novos produtos e oportunidades de valor para o setor de proteínas a partir de coprodutos, que são produtos secundários gerados de forma inevitável durante a fabricação de um item principal, mas que possuem valor comercial, relevância econômica e interesses no mercado mundial.

A agenda teve como eixo central a Ambição Regional, estratégia estruturante do Programa Oeste em Desenvolvimento que busca fazer do Oeste líder global em conhecimento e tecnologias agregadas às proteínas. Participaram representantes do POD, do GT Ambição Regional, do Napi AgriTech Symbiosis e do Napi Governança e Bioinovação, além de empresas, cooperativas e instituições de ensino, como a Unioeste e UTFPR.

A proposta dos encontros foi aproximar conhecimento científico, demandas empresariais e oportunidades de negócios, com foco no aproveitamento mais eficiente das cadeias de proteínas, informa o vice-presidente do POD, Clédio Marschall. Ele destaca que a Ambição Regional foi construída por mais de 60 entidades e estabelece uma direção estratégica para o desenvolvimento do Oeste. “O desafio passa por criar um novo ciclo de desenvolvimento, baseado na capacidade de transformar conhecimento em soluções, e produtos e negócios”.

Bioeconomia

O Napi AgriTech Symbiosis apresenta possibilidades concretas de integração entre pesquisa, indústria e produção. Segundo o pós-doutorando da Unioeste/Napi, José Uebi Maluf, a iniciativa busca fortalecer a bioeconomia e a inovação no Oeste paranaense. O projeto reúne universidades, institutos de pesquisa, parceiros internacionais e uma startup para desenvolver soluções sustentáveis destinadas ao agronegócio.

Na cadeia de proteínas, os resíduos de pescado, carnes, aves e suínos podem ser processados para obtenção de hidrolisados proteicos e outros ingredientes especializados. Maluf explicou que a diferença entre uma matéria-prima convencional e um ingrediente de maior desempenho está, em grande parte, na tecnologia empregada no processamento. Penas, pelos, cascos, chifres, peles, ossos, escamas, aparas, miúdos, sangue, mucosas, soro de leite e membranas de casca de ovo estão entre os materiais que podem ser aproveitados, comentou Maluf.

A partir deles, segue Maluf, podem surgir colágeno, gelatina, queratina hidrolisada, peptídeos, proteínas funcionais e enzimas destinados à alimentação humana e animal, suplementos, cosméticos e biofármacos. A professora Mônica Fiorese reforçou que a meta 1 do NAPI é desenvolver e aplicar tecnologias capazes de transformar resíduos, subprodutos e coprodutos proteicos em produtos de alto valor agregado. Investimentos previstos superam R$ 12 milhões e incluem bolsas para pesquisadores, técnicos e estudantes de mestrado, doutorado e iniciação científica.

Uma das principais frentes, segundo a professora Mônica, é transformar resíduos, subprodutos e coprodutos agroindustriais em produtos de maior valor agregado. Entre as possibilidades estão alimentos, rações, nutracêuticos, biofármacos, bioinsumos e fontes de nitrogênio para inoculantes do solo. Um dos caminhos mais promissores envolve a produção de nanopartículas de carbono, nanofibras e vidros bioativos para aplicações na agricultura e na saúde.

Na avaliação de Maluf, o potencial não está apenas na quantidade de proteínas produzidas, mas na capacidade de aproveitar melhor cada matéria-prima e criar produtos com maior valor de mercado.

Esse movimento também alcança a nutrição animal, com possibilidades de aplicação dos hidrolisados em avicultura, suinocultura, aquicultura, bovinocultura e pet food.

Maluf, porém, ressalta que a disponibilidade de uma matéria-prima não garante, por si só, a viabilidade de um novo negócio.

Observar todos os passos

Para que bons resultados surjam, a orientação é avançar de maneira estruturada, passando por pesquisa, testes, validação e produção em escala. Para que essas oportunidades cheguem ao mercado, a cooperação entre universidades e empresas também é decisiva. Segundo Nilza Maria de Souza Altavini, da Agência de Inovação da Unioeste, os acordos precisam definir responsabilidades, resultados esperados e a participação de cada parceiro em recursos, conhecimento, infraestrutura, dados e matérias-primas.

Propriedade intelectual, royalties, licenciamento, cessão e transferência de conhecimentos devem ser definidos contratualmente, assim como exclusividade, prazos, território, metas e remuneração. A integração entre empresas, cooperativas, universidades, institutos e estruturas de inovação cria, assim, condições para reduzir riscos, testar soluções e acelerar a chegada de novas tecnologias ao mercado.

Encaminhamentos e Oportunidades

A ambição regional 2040 de “Ser líder mundial em conhecimento e tecnologia agregada a proteínas” está posta como um propósito coletivo. Existe um mercado global com inúmeras oportunidades, os NAPI’s são como um braço de P&D na região, que apoiam nesse campo de pesquisa, inovação e aplicação dessa matéria prima já existente. A pergunta que o encontro provocou é: como podemos unir esforços especialmente entre grandes empresas e universidades, para aplicar conhecimento e tecnologia ao que já existe no território, atraindo investimentos para transformar o setor e gerar novos produtos de alto valor agregado na região?

Legenda: Na manhã de quinta-feira, o encontro aconteceu na Acic

Legenda 2: À tarde, a mesma apresentação foi feita na Lar, em Medianeira

Crédito: Assessoria

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